Análise de Desfiles
Análise de Desfiles
Moda Feminina & Masculina SPFW N61: Tema & Cores
Base da análise: 22 coleções de moda feminina e masculina do calendário oficial da São Paulo Fashion Week N61. A semana aconteceu de 13 a 18 de outubro de 2026. Leitura para o Calorão 26/27.
Publicado na plataforma em:
26/10/2026
O Tema da Temporada: Processo à Mostra
A semana que fecha o ciclo de 30 anos da SPFW tem uma ideia dominante: mostrar o que antes ficava escondido. Forro vira tecido, costura vira ornamento, a mão da artesã vira argumento de valor e a origem da matéria-prima vira informação de produto.
O gesto vem da desconstrução que Martin Margiela transformou em linguagem no fim dos anos 1980. O que muda é o contexto: num mercado saturado de imagem gerada por máquina, a prova de trabalho humano ganhou valor comercial. A cartela segue o mesmo raciocínio e troca o brilho fácil pelo preto que deixa a construção aparecer. Ao lado dele entram terras, azuis profundos, vermelhos e verdes vindos do tingimento, do mar e do território.
Herchcovitch;Alexandre, João Pimenta, Uó por Marcelo Sommer, Sou de Algodão + Ronaldo Fraga e Marina Bitu · SPFW N61 · Fotos: Agência Fotosite / FFW
Preto Gráfico
O preto volta como cor de construção, não de luto. João Pimenta reduz a cartela a preto, branco e cinza e deixa a técnica falar. Em Herchcovitch;Alexandre, o preto domina quase todo o desfile, num romantismo gótico. Dendezeiro faz do preto a base de couro, jeans e sarja, com cinza e off-white só de pontuação. A marca resume a escolha numa frase: São Paulo veste muito preto. Na Forca Studio, lidera uma cartela de couro que passa por marrom, cinza, vermelho e azul. É a cor que dá leitura ao corte.
Aplicação para Sua Marca
Base para alfaiataria leve e camisaria em tricoline, algodão de trama fechada, com pesponto branco contrastante como detalhe de valor. Em praia, rende em maiô de manga longa e recortes gráficos; no streetwear, em moletom e sarja. No calor, prefira tecidos que respiram e deixe o preto pesado para o friozinho.
Presença na Passarela
Preto Gráfico · SPFW N61 · 18% das 22 coleções analisadas · Em Crescimento
Origem do sinal: rua e passarela, do rap paulistano à desconstrução.
João Pimenta, Herchcovitch;Alexandre, Dendezeiro e Forca Studio · SPFW N61 · Fotos: Agência Fotosite / FFW
Bege Cartográfico
O bege chega com memória de papel antigo. Marina Bitu tira das cartas da cartógrafa Marie Tharp os beges e amarelos claros da coleção Abissa. Lilly Sarti abre a cartela em areia, ponto de partida de um guarda-roupa pensado para o explorador de montanha e deserto. Aluf põe o bege ao lado de terracota e verde-água na coleção Sorte de Pescador. É o neutro com passado, mais quente e mais humano que o bege corporativo, e faz a ponte entre as outras cores da semana.
Aplicação para Sua Marca
Cor-âncora do mix de calor em linho, algodão e tricoline. Em resort, conversa com palha e ráfia. Em esportivo, funciona em athleisure de fibra natural.
Presença na Passarela
Bege Cartográfico · SPFW N61 · 14% das 22 coleções analisadas · Em Crescimento
Origem do sinal: arte e arquivo; confirma o Areia Quente visto em Milão.
Marina Bitu, Lilly Sarti e Aluf · SPFW N61 · Fotos: Agência Fotosite / FFW
Terra Ferrugem
Os marrons e alaranjados aparecem com cara de processo. Sou de Algodão + Ronaldo Fraga tinge o algodão de forma natural e marca tecidos com metal enferrujado, que deixa um desgaste laranja. Lilly Sarti passa do areia ao marrom e ao laranja. Hisha tira da terra de Minas Gerais o marrom e o laranja da coleção Alforje. Aluf soma terracota e cobre, e Artemisi fecha o desfile com um look final em marrom. É a família mais repetida da semana, envelhecida de propósito, como roupa já usada.
Aplicação para Sua Marca
Linho, tricô e algodão tinto em peça, tingido depois de costurado. O tingimento natural é diferencial de produto e de narrativa. Em saída de praia, combina com palha e crochê. No varejo, rende em camadas de dois ou três tons da mesma família.
Presença na Passarela
Terra Ferrugem · SPFW N61 · 23% das 22 coleções analisadas · Em Crescimento
Origem do sinal: processo e território.
Sou de Algodão + Ronaldo Fraga, Lilly Sarti, Hisha, Aluf e Artemisi · SPFW N61 · Fotos: Agência Fotosite / FFW
Azul Abissal
O azul vem do fundo do mar. Marina Bitu tira os azuis profundos da pesquisa da bióloga Marta Vannucci. Catarina Mina leva o azul-escuro a um jacquard de algodão, tecido com o desenho formado na própria trama, numa das peças mais formais do desfile. Aluf veste de azul um casaqueto retrô e leva a cor até o royal. Lilly Sarti fecha a cartela num azul-esverdeado com bolinhas pretas. Milão clareou o azul até o céu; São Paulo o leva para a profundidade. É essa versão escura que substitui o preto no calor.
Aplicação para Sua Marca
Em praia e resort, é a alternativa ao preto em maiôs e saídas. Em festa, rende em jacquard e seda. Combina com o bege cartográfico e com vermelho.
Presença na Passarela
Azul Abissal · SPFW N61 · 18% das 22 coleções analisadas · Em Crescimento
Origem do sinal: natureza e ciência.
Marina Bitu, Catarina Mina, Aluf e Lilly Sarti · SPFW N61 · Fotos: Agência Fotosite / FFW
Vermelho Profundo
O vermelho aparece sempre ligado a uma técnica. Catarina Mina o usa nas sobressaias e tops de renda tramoia, feita pelas artesãs do coletivo Mães do Mar, em Acaraú, no Ceará. Marina Bitu cria um jacquard em degradê de vermelho para preto. Lilly Sarti o coloca como ponto de chegada da passagem do areia ao laranja. Amir Slama o mistura a laranja e amarelo num clima tropical. É cor de acento, que valoriza a superfície em vez de gritar sozinha.
Aplicação para Sua Marca
Concentre em peças-destaque de superfície rica, como renda, jacquard e crochê. Em praia, funciona em biquíni texturizado e em acessório; em festa, em degradê.
Presença na Passarela
Vermelho Profundo · SPFW N61 · 18% das 22 coleções analisadas · A Observar
Origem do sinal: artesanato e território.
Catarina Mina, Marina Bitu, Lilly Sarti e Amir Slama · SPFW N61 · Fotos: Agência Fotosite / FFW
Verde Tropical
O verde chega por dois caminhos: a festa e a paisagem. Santa Resistência veste o verde e rosa da Mangueira, do tom esmaecido ao vibrante, com um bolero verde de retalhos. Amir Slama leva o verde-jade a uma cartela tropical de vermelho, laranja, amarelo e azul. Aluf usa verde-água e menta. Hisha traz verde-musgo e turquesa das paisagens de Minas Gerais. É a cor nova da semana e a mais fácil de levar para a praia.
Aplicação para Sua Marca
Em praia, verde-jade e menta renovam o maiô liso. Em festa e Carnaval, o verde e rosa rende em franja e paetê. Em athleisure, o verde-musgo substitui o cáqui.
Presença na Passarela
Verde Tropical · SPFW N61 · 18% das 22 coleções analisadas · Emergindo
Origem do sinal: Carnaval, paisagem e território.
Santa Resistência, Amir Slama, Aluf e Hisha · SPFW N61 · Fotos: Agência Fotosite / FFW
Leitura Estratégica da Temporada
Compre: Terra Ferrugem e Azul Abissal, as cores de leitura comercial mais fácil.Teste: Verde Tropical em praia e festa.Use como linguagem: Preto Gráfico para valorizar a construção.Observe: o branco com dourado de Amir Slama, pronto para o Réveillon.Em diálogo com Milão: o azul escurece e o bege ganha memória.
Você está vendo apenas uma parte do que a ADHARA mapeou.
Este report é uma amostra. A análise completa, com desdobramentos por segmento, referências visuais, direcionamentos de produto e os sinais que ainda não chegaram ao mercado, está disponível para assinantes.
Na moda, quem age antes dos outros não precisa reagir depois.





































































